1 - APRESENTAÇÂO

Objetivos e Histórico

Estrutura Curricular

2 - CORPO DOCENTE

Professores

3 - ÁREAS E LINHAS DE PESQUISAS

Linha 1: Psicanálise: Clínica e Cultura;

Linha 2: Interação Social, Linguagem e Subjetividade;

Linha 3: Família, Casal e Criança: Teoria e Clínica;

Linha 4: Clínica e Neurociências.

 

4 - INSCRIÇÃO E SELEÇÃO PARA 2015

Período de inscrição: 04/08/2014 à 26/09/2014

EDITAL 2015

Outras informações em:

http://www.puc-rio.br/ensinopesq/ccpg/inscricoes.html e
http://www.puc-rio.br/ensinopesq/ccpg/progpsi.html#admissao

5 - DISCIPLINAS

Horários (2014.2)

EMENTAS:

PSI 2008 - PSI 2017 - PSI 2026 - PSI 2027 - PSI 2103

 

6 - PUBLICAÇÕES

Revistas

7 - TESES E DISSERTAÇÕES

Sistema Maxwell

 

 

 

 

1 - APRESENTAÇÃO

Objetivos e Histórico

O Departamento de Psicologia da PUC-Rio oferece, em nível de Pós-graduação stricto sensu, cursos de Mestrado (desde 1966, o primeiro no país na área) e Doutorado (desde 1985) na área de concentração Psicologia Clínica, ambos com avaliação 5 pela CAPES. A proposta geral do Mestrado e do Doutorado é o estudo das teorias e práticas próprias à área da Psicologia Clínica, e o exame crítico dessas mesmas teorias e práticas com vistas à sua renovação continuada.

A Psicologia Clínica tem-se constituído como um campo de saber no qual, cada vez mais, se reconhece que as determinações sócio-culturais estão implicadas na construção da subjetividade, e que o estudo da cultura é parte integrante desse campo. Nosso Programa tem buscado sua identidade priorizando o estudo dos aspectos sócio-culturais envolvidos nas experiências subjetivas, sem perder de vista a contextualização das teorias e práticas do campo clínico. Esse tipo de abordagem encontra-se refletido na definição das quatro linhas de pesquisa desenvolvidas no Programa.

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Estrutura curricular

Mestrado
Disciplinas Obrigatórias:
PSI 2601 - Métodos de Pesquisa - 3 cr.
PSI 2602 - Seminário de Dissertação - 3 cr.
PSI 2603 - Estudo e Pesquisa I - 3 cr.
PSI 2604 - Estudo e Pesquisa II - 3 cr.
PSI 3002 - Exame de Projeto de Dissertação – 0 cr
PSI 3000 - Dissertação de Mestrado - 0 cr.

Doutorado
Disciplinas Obrigatórias:

PSI 2701 - Seminário de Doutorado I - 3 cr.
PSI 2702 - Seminário de Doutorado II - 3 cr.
PSI 3001 - Tese de Doutorado -  0 cr.
PSI 3004 - Exame de Qualificação - 0 cr.

Mestrado e Doutorado
Disciplinas Eletivas:

PSI 2001/2005; PSI 2021/ PSI 2025 - Temas em Psicanálise - 3 cr.
PSI 2006/2010; PSI2026/2029 - Temas em Linguagem e Subjetividade - 3 cr.
PSI 2016/2020; PSI 2057 / PSI 2060 - Temas em Família e Casal - 3 cr.
PSI 2061/PSI 2070 - Temas em Clínica e Cultura - 3 cr.
PSI 2071/2080 – Temas em Clínica e Neurociências- 3 cr.
PSI 2101 - Teoria Psicanalítica - 3 cr.
PSI 2102 - Psicanálise e Cultura -3 cr.
PSI 2103 - Questões Clínicas -3 cr.
PSI 2104 - Construção Subjetiva do Homem Contemporâneo - 3 cr.
PSI 2105 - Análise de Discurso - 3 cr.
PSI 2106 - Imaginário Sócio-histórico e Modos de Subjetivação - 3 cr.
PSI 2109 - Campo Psicossomático: Teoria e Prática - 3 cr.
PSI 2110 - Psicoterapia de Família e de Casal - 3 cr.
PSI 2111 - Família e Casamento Contemporâneo - 3 cr.
PSI 2112 - Cotidiano Digital – 3 cr.
PSI 2120 - Estudo Individual para Mestrado - 3 cr.
PSI 2121 - Estudo Individual para Doutorado - 3 cr.
PSI 3203 - Estágio de Docência na Graduação I - 3 cr.
PSI 3213 - Estágio de Docência na Graduação II - 3 cr.
PSI 3223 - Estágio de Docência na Graduação III - 3 cr.
PSI 3224 - Estágio de Docência na Graduação IV - 3 cr.
PSI 3225 - Estágio de Docência na Graduação V - 3 cr.
PSI 3226 - Estágio de Docência na Graduação VI - 3 cr.
PSI 3227 - Estágio de Docência na Graduação VII - 3 cr.
PSI 3228 - Estágio de Docência na Graduação VIII - 3 cr.

 

Requisitos para obtenção do grau de Mestre
• Completar um mínimo de 24 créditos, sendo 12 em disciplinas obrigatórias;
• Completar 12 créditos em disciplinas eletivas, sendo 6, no máximo, fora do Departamento;
• Ser aprovado em exame escrito de Inglês;
• Apresentar, defender e ser aprovado em Dissertação de Mestrado.

Requisitos para obtenção do grau de Doutor
• Completar 45 créditos assim distribuídos:
24 créditos, no máximo, aproveitados do curso de Mestrado;
6 créditos, em disciplinas obrigatórias;
15 créditos, no mínimo, em disciplinas eletivas, sendo 6 créditos, no máximo, fora do Departamento;
• Ser aprovado em exames escritos de Inglês e Francês;
• Ser aprovado em Exame de Qualificação perante uma banca de três professores no campo do conhecimento em que se insere a tese;
• Apresentar o projeto de tese de Doutorado;
• Apresentar, defender e ser aprovado em tese de Doutorado.

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2 - CORPO DOCENTE

Ana Maria Nicolaci-da-Costa, Ph.D., Universidade de Londres, 1983.

Andrea Seixas Magalhães, Doutora, PUC-Rio, 2000.

Carlos Augusto Peixoto Júnior, Doutor, UERJ, 1997.

Flavia Sollero de Campos, Doutora, PUC-Rio, 2001.

Helenice Charchat Fichman, Doutora, USP/SP, 2003.

J. Landeira-Fernandez, Ph.D., UCLA, EUA, 1994.

Juliane Callegaro Borsa, Doutora, UFRGS, 2012.

Lidia Levy de Alvarenga, PUC-Rio, 1994.

Luciana Fontes Pessôa, Doutora, UERJ, 2008.

Junia de Vilhena, Doutora, PUC/SP, 1984.

Marcus André Vieira, Doutor, Universidade de Paris VIII, 1996.

Maria Helena Rodrigues Navas Zamora, Doutora, PUC-Rio, 1999.

Maria Inês G. F. Bittencourt, Doutora, Psicologia Clínica, PUC-Rio 2002.

Monah Winograd, Doutora, Teoria Psicanalítica, UFRJ, 2001.

Silvia Mª Abu-Jamra Zornig, Doutora, PsicologiaClínica, PUC-Rio, 1998.

Solange Jobim e Souza, Doutora, PUC-Rio, 1992.

Terezinha Féres Carneiro, Doutora, PUC/SP, 1981.

 

3 – ÁREAS E LINHAS DE PESQUISAS

LINHA 1 - PSICANÁLISE: CLÍNICA E CULTURA

Esta linha tem como proposta básica contribuir para a produção de um saber que se constrói na articulação da teoria e da prática psicanalíticas. Tendo como objeto central de investigação o sujeito na cultura, se utiliza de uma abordagem teórico-clínica informada pela Psicanálise na sua articulação com diferentes campos do saber tais como a Psicologia Social, a Filosofia e as Ciências Sociais. A partir desta concepção ampliada de clínica, e considerando as múltiplas transformações e jogos de poder que atravessam o mundo contemporâneo, torna-se possível pensar as diferentes formas de subjetivação que se processam na atualidade, assim como seus efeitos sobre a clínica hoje.

 

Prof. Carlos Augusto Peixoto
Mestre, Teoria Psicanalítica, UFRJ, 1991.
Doutor, Saúde Coletiva, IMS-UERJ, 1997.
Pesquisador do CNPq.
Psicanalista do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos.

Minhas áreas de interesse estão concentradas atualmente na investigação da teoria das relações objetais em psicanálise, privilegiando os aspectos interpessoais ou intersubjetivos com ênfase em questões relacionadas aos lugares do corpo e do afeto na clínica psicanalítica contemporânea. Neste sentido, parte-se de algumas questões colocadas à psicanálise freudiana clássica, formuladas durante o último período da obra de Sándor Ferenczi, no que elas propõem reformulações técnicas a partir da centralidade atribuída pelo psicanalista húngaro ao trauma na gênese dos processos de subjetivação, destacando-se a influência decisiva da corporeidade e da afetividade nos casos clínicos mais graves. Deriva-se daí uma pesquisa voltada para a obra de autores pós-freudianos e pós-ferenczianos britânicos, tais como Fairbairn, Balint, Winnicott e Guntrip, dentre outros. Entende-se que estes analistas também enfatizaram a importância das primeiras relações objetais no decorrer do amadurecimento emocional, sublinhando o papel decisivo do ambiente na análise de pacientes difíceis, os quais dificilmente se encaixam em um modelo de clínica estrutural. Dentre esses casos privilegia-se a análise das depressões mais graves, da esquizoidia e das chamadas patologias limítrofes ou narcísicas. Ainda com estes objetivos, buscamos também em autores contemporâneos tais como Ogden, Bollas, Stern, Bolognini, Bonaminio e Borgogno, leitores contemporâneos da escola inglesa moderna e da tradição ferencziana, referências teórico-clínicas que permitam aprofundar com rigor uma conceituação mais atualizada para repensar a clínica do nosso tempo, mantendo a ênfase na importância do ambiente, das emoções e do corpo no que se refere às novas patologias. Por último, também têm sido investigados autores americanos voltados para o estudo da intersubjetividade, com destaque para Stolorow e Atwood, no que eles permitem avançar no estudo das concepções do self a partir de uma perspectiva centrada prioritariamente no vínculo interpessoal.

Deste plano geral de pesquisa podem ser derivados os seguintes temas:
- Corpo, afeto e clínica psicanalítica.
- Clínica e formas de sofrimento na contemporaneidade.
- Relações objetais e amadurecimento emocional.
- Teoria da clínica ferencziana e pós-ferencziana.
- Escolas psicanalíticas inglesas, húngara, americana e italiana.

 

 

 

Profª. Junia de Vilhena
Master of Social Sciences, Catholic University of America, EUA – 1973.
Doutora, Psicologia, PUC-SP, 1984.
Psicanalista do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro.

Meus interesses de pesquisa dentro do campo psicanalítico podem, grosso modo, ser definidos nos estudos que dizem respeito à utilização da psicanálise para a compreensão de alguns fenômenos da realidade brasileira. É na interseção de diferentes campos do saber, tais como a antropologia, a história e a ciência política que venho buscando, através de pesquisas de campo, diferentes agenciamentos subjetivos que são observados no atendimento psicológico a populações de baixa renda.
Sabendo que nenhuma produção teórica é a-histórica, devendo, portanto, ser sempre contextualizada, a pesquisa que venho desenvolvendo, "Atendimento psicológico a populações de baixa renda: cultura e agenciamentos subjetivos”  está voltada para um mapeamento das diferentes formas de subjetivação, através da análise de distintos mapas de navegação social, da correlação de forças em diferentes espaços (público/privado) e das possíveis renegociações na atribuição de papéis.
Derivam deste tema central as seguintes pesquisas, sempre voltadas para a realidade brasileira:

  1. Domínios da violência: 1.1 Cultura brasileira, valores e estetização da violência; 1.2 Violência e exclusão social; 1.3 Violência e instituição.
  2. Psicanálise, corpo e regulação social: 2.1 Corpo, imagem e representação social; 2.2 Corpo, preconceito  e exclusão social; 2.3 Corpo e trabalho;
  3. Envelhecimento e sofrimento psíquico: 3.1 Envelhecimento e representação social 3.2 Envelhecimento, corpo e imagem corporal; 3.3 Envelhecimento e trabalho.

É dentro desta perspectiva que me interessa problematizar o atendimento psicológico a populações de baixa renda, levando-se em conta condições de produção de quadros psicopatológicos presentes no cotidiano das camadas menos favorecidas tais como confinamento, pânico, violência extrema, bem como caracterizar os desafios metodológicos nesse tipo de atendimento.

 

Prof. Marcus André Vieira
Doutor em Psicanálise, Université de Paris VIII, França, 1996.
Psiquiatra, Psicanalista da Escola Brasileira de Psicanálise.

Áreas de interesse:
1. Práticas de orientação psicanalítica lacaniana em instituição
2. Sintoma e Interpretação

Minha premissa: o campo dos saberes psicanalíticos só produz uma reflexão própria se não perder o norte de seu fundamento em uma prática clínica precisa. Uma definição unitária desta clínica é tão utópica quanto a hipótese de uma campo psicanalítico unificado. É preciso, porém, postular a especificidade da psicanálise com relação às demais práticas “psi”, para examinar os conceitos, a ação social e a terapêutica por ela constituídos. Em um sentido inverso e igualmente essencial, exercitar a crítica contínua da razão psicanalítica (seu lugar com relação aos discursos que ela atravessa e que por ela são atravessados) é condição para interrogar sua clínica. A orientação lacaniana da psicanálise é a referência para a prática clínica que exerço e que ordena a investigação permanente de seus conceitos desenvolvida por mim em nosso Departamentom a partir dos seguintes eixos:

- As relações entre a psicanálise e a loucura, em seus aspectos psiquiátricos e psicopatológicos, mas igualmente de estranheza e desrazão que estão na base da descoberta freudiana; e o campo das instituições que acolhem aqueles para quem a experiência humana se mostra impossível de suportar em experiências de atendimento psicanalítico heterodoxo, seja em clínicas “sociais” ou universitárias, seja nos serviços do campo dito da saúde mental.

- Neste sentido, desenvolve-se nossa pesquisa atual, “Sobre o início do tratamento” que busca estabelecer as bases conceituais para uma experiência, em curso, de atendimento psicanalítico na favela da Maré em parceria com a Associação DIGAÍ-Maré. Com base no binômio “sintoma e interpretação”, examinamos as condições necessárias para o início de um tratamento analítico a partir do ensino de Jacques Lacan.



Profª. Monah Winograd
Mestre, Teoria Psicanalítica, UFRJ, 1996
Doutora, Teoria Psicanalítica, UFRJ, 2001

Desde a segunda metade do século XX, assistimos alguns ramos das ciências do cérebro defenderem a importância da arquitetura e da materialidade cerebral, não apenas como suporte do psíquico, mas principalmente como sua determinação. Trata-se, na verdade, do antigo projeto de naturalização do psiquismo que vem sendo implementado em conformidade com a hegemonia pretendida pela concepção do ser humano como uma máquina que pode ser projetada, construída e programada. Debates antigos assumiram novos contornos: a problemática corpo-mente especificou-se na problemática cérebro-pensamento para exprimir a questão da causalidade mental. Como entender e fazer uma crítica de tais discursos biologizantes sem assumir uma postura pusilânime, defensiva e conservadora que faz com que pareçamos defensores de um espiritualismo retrô e de uma ilusão religiosa que nós mesmos nos esforçamos por dissolver? A formulação de encaminhamentos possíveis para estas questões deve, necessariamente, levar em conta um problema importante que aparece claramente ao fazermos um recuo estratégico das bordas do campo psicanalítico para o centro da metapsicologia. Trata-se de uma questão teórica e clínica central para a psicanálise e nem de longe esgotada: a do lugar do corpo e suas relações em diversos níveis com o psiquismo.  

Objeto de vários campos de saber, o corpo é um problema transdisciplinar, lugar de interseção de perspectivas múltiplas. Em uma de suas acepções correntes, 'corpo' pode designar toda substância material que se apresente à percepção como um grupo permanente e estável de qualidades, independentemente do sujeito que percebe. Nesse sentido, é objeto, admitindo entre suas partes e entre ele mesmo e os outros objetos apenas relações exteriores e mecânicas, tal como o corpo-organismo estudado pelo fisiologista, pelo médico, pelo biólogo, entre outros. Abarcando o corpo-próprio, designa também o centro da existência do indivíduo e, ao mesmo tempo, sua potência de perceber, pensar e agir, definindo-se como modo de inserção do sujeito no mundo. Daí ser também, de um lado, histórico, social, tecido pela cultura através dos tempos e estudado pela sociologia, pela antropologia, pela psicologia social etc. e, de outro lado, individual, representado simbólica e imaginariamente, absorvido e transformado pela representação, marcando e constituindo a história singular de cada um: corpo-sujeito.

Em psicanálise, de qual corpo se trata? Ora, o corpo não pertence ao edifício conceitual da psicanálise, embora pertença de modo crucial ao seu ambiente empírico e nocional ou, noutras palavras, ao seu plano de pensabilidade. Ou seja, se o corpo (organismo e sujeito) não é um conceito psicanalítico, ele é, todavia, onipresente, mesmo implicitamente, raramente abordado por si mesmo e em si mesmo na metapsicologia. É bem verdade que, mais recentemente, o campo psicanalítico se debruçou sobre essa problemática de modo mais constante e insistente, como demonstra a proliferação de estudos a respeito na literatura, quer especificamente sobre o problema do corpo em Freud, quer articulando essa questão a outras, tais como a constituição subjetiva ou os sintomas psicossomáticos. Neste contexto, diversas questões podem ser desdobradas, no centro da metapsicologia ou nas fronteiras da psicanálise com outros campos de saber, dentre as quais destaco apenas alguns vetores:

(1) o problema geral da relação entre corpo e psiquismo;
(2) o problema geral do lugar do corpo nos modelos metapsicológicos e em seus fundamentos teóricos;
(3) o materialismo freudiano e a noção freudiana de Natureza;
(4) os conceitos de afeto, isso e pulsão (particularmente o de pulsão de morte e suas possibilidades de positivação);
(5) questões técnicas e teóricas derivadas da clínica do traumático e dos estados-limite etc.;
(6) o conceito de Real;
(7) o campo do pré-discursivo.

 

 

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LINHA 2 - INTERAÇÃO SOCIAL, LINGUAGEM E SUBJETIVIDADE.

Esta linha de pesquisa tem como foco a investigação dos processos de constituição da subjetividade e das interações sociais ao longo do ciclo vital. Diferentes abordagens teórico-metodológicas, derivadas de diversas tradições, fundamentam as concepções de interação, linguagem e subjetividade. Nesta perspectiva, estão sendo desenvolvidos estudos e pesquisas sobre temas referentes a diferentes contextos sociais, históricos e culturais:
- relações entre linguagem e experiência interna
- linguagem e memória social
- processos de aquisição de linguagem
-contribuições das concepções de temporalidade e história para uma psicologia crítica do desenvolvimento humano.
-trajetórias de socialização e desenvolvimento do self
- crenças e práticas de cuidados parentais
- interações sociais e desenvolvimento emocional
- contribuições para a promoção de políticas públicas voltadas para o campo da saúde, da educação e dos direitos humanos.

Profª Ana Maria Nicolaci-da-Costa
M.A., New School for Social Research, N.Y., EUA, 1975.
Ph.D., University of London, 1983.

Dificilmente nos damos conta de que revoluções tecnológicas podem ter profundos impactos psicológicos. Se recuarmos no tempo, no entanto, veremos que o tipo de organização subjetiva que caracterizou o homem ocidental do século XX – a do indivíduo – emergiu em conseqüência das profundas transformações sociais geradas pelo processo de industrialização que sucedeu a invenção da primeira fonte de energia inanimada (o vapor) no final do século XVIII.
É isso o que podemos perceber a partir da obra de autores clássicos – como Ferdinand de Tönnies, Georg Simmel, Emile Durkheim, Friedrich Engels, Karl Marx, Max Weber e Sigmund Freud – que se dedicaram a observar o cotidiano de seus dias buscando a compreensão de diferentes aspectos da mudança radical ocorrida na Europa em conseqüência da Revolução Industrial.

Para citar somente alguns exemplos bastante conhecidos, Friedrich Engels foi morar na Inglaterra para observar de perto os problemas da classe trabalhadora inglesa (a primeira a sofrer o impacto da Revolução Industrial); Georg Simmel observou minuciosamente o cotidiano objetivo e subjetivo das grandes metrópoles (então coisa recente); e Sigmund Freud, a partir dos problemas colocados pela histeria, procurou mergulhar no psiquismo de seus pacientes o que lhe possibilitou romper com o primado da consciência e escandalizar a moral vitoriana afirmando a existência da sexualidade infantil. Todos escreveram grandes obras a partir da observação, questionamento e investigação do cotidiano de sua época.

Também parto do cotidiano, ou melhor, de questões que o cotidiano me coloca, para procurar compreender o impacto subjetivo de mudanças sociais. No momento, como não poderia deixar de ser para quem tem o meu tipo de interesse, estou investigando os impactos gerados principalmente pelas novas tecnologias da informática e das telecomunicações. No caso específico destas, estou interessada em dois tipos de impacto.

(a) Impactos diretos: aqueles gerados pelo uso pessoal tanto da Internet quanto dos celulares.

(b) Impactos indiretos: aqueles que incidem tanto sobre os usuários quanto sobre os não-usuários da Rede ou dos celulares. Isso porque tanto os primeiros quanto os últimos sofrem os efeitos das profundas alterações introduzidas pela Internet no mercado de trabalho, na circulação do capital, no exercício da cidadania, no acesso à informação, na educação, etc.

 

Profª. Juliane Callegaro Borsa
Mestre, Psicologia, PUCRS, 2008
Doutora, Psicologia,  UFRGS, 2012
Pós-Doutorado, Psicologia, UFRGS, 2012

Minha área de pesquisa e atuação é a avaliação psicológica nos seus diferentes contextos de inserção (clínica, escola, hospital, empresas, entre outros). A avaliação psicológica é um processo técnico-científico que tem por objetivo investigar e compreender diferentes características psicológicas enquanto resultantes da relação do indivíduo e seu contexto. Para tanto, utiliza diferentes métodos, técnicas e instrumentos tais como entrevistas, atividades lúdicas, técnicas gráficas, testes projetivos e testes psicométricos. Assim, meu interesse é na avaliação psicológica enquanto prática baseada na ética e comprometida com o desenvolvimento científico. Também desenvolvo estudos de construção, adaptação e validação de instrumentos para avaliação de diferentes construtos psicológicos, destinados a diferentes faixas etárias. 

Meus projetos atuais de pesquisa são: 

Construção e validação de uma escala de avaliação de comportamentos agressivos proativos e reativos entre crianças:  consiste em diferentes estudos que visam investigar as evidências de validade da Escala de Comportamentos Agressivos e Reativos entre Pares (ECAP) para o contexto brasileiro.

O olhar dos profissionais e estudantes de Psicologia sobre a Avaliação Psicológica: objetiva conhecer a opinião dos psicólogos e estudantes dos cursos de graduação em Psicologia das universidades públicas e privadas do Rio de Janeiro acerca da formação e da prática da avaliação psicológica.

Variáveis psicológicas dos usuários do serviço de emergência do Hospital Municipal Miguel Couto: propõe a investigação de diferentes características psicológicas dos usuários do serviço de emergência do Hospital Miguel Couto, Rio de Janeiro. Este estudo é teoricamente fundamentado pela Psicologia Positiva. 

Prevalência dos comportamentos agressivos em crianças escolares da cidade do Rio de Janeiro:  objetiva avaliar os comportamentos agressivos em crianças de escolas públicas e privadas do Rio de Janeiro. Pretende compreender possíveis associações entre comportamentos agressivos e diferentes variáveis biopsicossociais, a partir do Modelo Bioecológico do Desenvolvimento Humano de Bronfenbrenner.

A visão dos pais e mães sobre o bullying na infância: tem como objetivo investigar a visão dos cuidadores sobre o bullying escolar e compreender as possíveis associações entre a ocorrência de bullying e as características do contexto familiar.

 

Profª. Luciana Fontes Pessôa
Mestre, Psicologia Social, UERJ, 2004
Doutora, Psicologia Social, UERJ, 2008
Pós-Doutorado, Psicologia Social, UERJ, 2010

Área de pesquisa e atuação é a cognição social e o desenvolvimento humano a partir de uma visão interacionista e sociocultural do desenvolvimento. Seus estudos teóricos e empíricos abordam o processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem; as características dos sujeitos em desenvolvimento enfocando os diferentes contextos em que se dá o desenvolvimento; e como se estabelecem as trocas entre os bebês e seus parceiros nos múltiplos contextos de interação social. Atualmente, suas pesquisas buscam as tendências de desenvolvimento/socialização do self, pressupondo que autonomia e interdependência são tendências universais e desenvolvidas ao longo da ontogênese. Investiga as metas e práticas de diferentes cuidadores (mães, avós, babás, funcionárias de creche) e as trajetórias de desenvolvimento do self das crianças para autonomia, interdependência e/ou autonomia relacionada.

No projeto Trajetórias de Desenvolvimento: Metas e Práticas de Cuidados em diferentes tipos de famílias do Rio de Janeiro abrange as crenças dos principais cuidadores e o papel da rede de apoio na prática de criação das crianças. Nos estudos teóricos do referido projeto, explora a literatura sobre intersubjetividade no laço conjugal, arranjos familiares contemporâneos, relacionando essa literatura aos estudos sobre trajetórias de desenvolvimento/socialização, autonomia, interdependência/relação e construção do self de autoras como H.Keller e C. Kagiçitbasi.

 

Profª. Maria Helena Rodrigues Navas Zamora
Mestre em Psicologia, PUC-Rio, 1992.
Doutora em Psicologia, PUC-Rio, 1999.

Com o presente projeto propomos pesquisar o tema dos direitos humanos das crianças e adolescentes em sua relação com a família e com a educação, com o sistema de garantia de direitos, com a comunidade. Pretendemos contribuir para a compreensão e construção de intervenção psicossocial que beneficie em especial os mais jovens, em seus espaços de convivência, educativos e comunitários. Neste sentido, a investigação está centrada na análise da(s) instituição (s) que de alguma maneira atende os mais jovens. A partir dessa primeira delimitação de nosso objeto de pesquisa, podemos estabelecer como objetivo geral investigar as questões concernentes aos direitos humanos de crianças e adolescentes, considerando sua inserção na família e na escola, sejam eles ligados a escolas regulares de vários níveis, a escolas inclusivas, estabelecimentos de socioeducação, ao sistema socioeducativo ou a outras iniciativas e tomando como foco a análise das práticas institucionais concretas

 

Profª. Maria Inês Garcia de Freitas Bittencourt
Mestre, Psicologia Clínica, PUC-Rio, 1979
Doutora, Psicologia Clínica, PUC-Rio, 2002

O projeto de pesquisa Temas em desenvolvimento humano tem como objetivo geral estudar questões contemporâneas relacionadas com as atuais configurações do espaço e do tempo, a tecnologia, o consumo, a violência e suas repercussões nas subjetividades, com foco na constituição da função simbólica. A pesquisa tem contemplado tanto as classes economicamente mais favorecidas quanto as populações de baixa renda.   Dois eixos orientam os estudos: questões sobre a criatividade nas relações do sujeito com a cultura e questões sobre  a clínica com crianças. Adoto como principal referência a psicanálise de D.W. Winnicott, que enfatiza o papel das relações afetivas e da cultura no processo de subjetivação, complementando esta visão teórica no diálogo com autores de outros campos, como filosofia, sociologia, antropologia e história.

 

Profª. Solange Jobim
Mestre, Psicologia, PUC-Rio, 1978.
Doutora, Educação, PUC-Rio, 1992.

A principal área de investigação do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa da Subjetividade (GIPS) abrange desde questões teórico-metodológicas de pesquisa em ciências humanas e sociais, à análise crítica da tradição teórico-conceitual sobre desenvolvimento humano, com ênfase especial nas teorias da linguagem para a compreensão das mediações entre sujeito, natureza e cultura. Nosso interesse de pesquisa tem sido em torno da investigação dos modos de subjetivação no contexto da globalização, da cultura do consumo, da sociedade da informação e da experiência com as imagens, analisando suas implicações nas formas de produção do conhecimento e nas transformações do sujeito contemporâneo. Em março de 2011 foi inaugurado, no âmbito do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa da Subjetividade (GIPS), o Núcleo Interdisciplinar de Memória, Subjetividade e Cultura (NIMESC). O NIMESC é um núcleo de estudos, pesquisa e extensão que integra os departamentos de Psicologia e Artes & Design da PUC-Rio. O objetivo é a articulação de estudos e pesquisas em memória social e coletiva, se constituindo como um espaço para apoiar a formação de recursos humanos para projetos sociais e culturais em comunidades que demonstrem interesse em desenvolver estratégias de ação para valorização da expressiva diversidade cultural das histórias de vida de seus habitantes.

 

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LINHA 3 - FAMÍLIA, CASAL E CRIANÇA: TEORIA E CLÍNICA

Esta linha caracteriza-se pelo estudo da família, do casal e da criança, fundamentado nos enfoques clínicos e socioculturais. A construção da subjetividade na infância e na adolescência é objeto de estudo a partir da abordagem psicanalítica e de pesquisas sobre a parentalidade, a clínica dos primórdios e a relação entre o sintoma adolescente e o laço social. A psicoterapia de família e casal é investigada tanto nas abordagens sistêmicas quanto nas abordagens psicanalíticas. Alguns estudos propõem a articulação destas duas abordagens. Procura-se ainda investigar aspectos relevantes na constituição da família e do casamento contemporâneo, enfatizando-se os fatores socioculturais. Estão sendo desenvolvidos estudos sobre os seguintes temas: transmissão psíquica geracional; relações objetais; constituição psíquica e clínica dos primórdios; a infância e o infantil na psicanálise; narratividade e processos de simbolização; novas configurações conjugais e familiares; homoafetividade; adoção; concepção de adolescência; saúde na família; relação amorosa; sexualidade e gênero; casamento, separação e recasamento; conjugalidade e parentalidade; terapia de casal; diagnóstico e terapia de família.

  

Profª. Andrea Seixas Magalhães
Mestre, Psicologia Clínica, PUC-Rio, 1993.
Doutora, Psicologia Clínica, PUC-Rio, 2000.
Membro efetivo da Association Internationale de Psychanalyse de Couple et de Famille.

Constituem-se como meus principais interesses a investigação da família e do casal, considerando o estudo de seu ciclo vital, a contextualização de suas transformações e o surgimento de novas configurações familiares e conjugais, o aprofundamento das bases teóricas que originaram a construção de suas abordagens psicoterápicas e o desenvolvimento de ferramentas teórico-clínicas para melhor compreender e intervir terapeuticamente nesse campo.

Nos últimos anos, tenho investigado a constituição da conjugalidade e suas influências sobre os processos de subjetivação, analisando o lugar da experiência amorosa no processo identificatório, privilegiando o papel dos ideais e da transmissão psíquica geracional. Recentemente, tenho pesquisado as relações entre as dimensões da conjugalidade e da parentalidade, delimitando-as na avaliação familiar, na elucidação da demanda terapêutica e no processo mais amplo de psicoterapia familiar. Esta pesquisa fundamenta-se na literatura de família e casal, abrangendo a visão transdisciplinar, reunindo contribuições dos enfoques psicossociais e clínicos, destacando a teoria psicanalítica de família.

Na pesquisa atual, realizada no contexto da clínica social com famílias, a frágil presença da figura paterna na psicoterapia familiar é investigada. Tal questão emerge na psicoterapia, independentemente da configuração familiar (família casada, recasada, separada e monoparental), embora seja mais evidente nas famílias separadas e monoparentais. Frequentemente, são as mães que trazem os filhos para psicoterapia individual ou familiar e a figura parental masculina, seja o pai biológico ou socioafetivo, é pouco presente em termos de participação no tratamento. Contudo, mesmo nas famílias em que não há figura paterna presente nos cuidados familiares, a paternidade está presente por meio da rede familiar e de referências geracionais, de fantasias e de projeções compartilhadas. Portanto, é importante investigar os efeitos do preenchimento dessa ausência e os modos de significação a ela relacionados. A clínica social com famílias é um importante campo de pesquisa para o estudo da paternidade, sobretudo, porque é por meio do sofrimento psíquico expresso pela família que podemos atingir seus efeitos na subjetividade. O objetivo geral deste projeto é desenvolver uma pesquisa sobre a paternidade e sobre o suporte parental fornecido pelas redes familiares, nas diferentes configurações familiares, na clínica com famílias. O período da avaliação familiar é focalizado, elucidando o lugar do pai na demanda terapêutica e no estabelecimento do processo de psicoterapia familiar, visando ao aprimoramento da intervenção clínica nesse campo. São objetivos específicos: a) investigar como a paternidade é constituída e delimitada; b) quais são as influências geracionais na constituição da paternidade e no preenchimento de suas falhas; c) como a rede familiar atua no suporte parental; d) como a presença/ausência paterna repercute na demanda de psicoterapia familiar.

Profª. Lidia Levy de Alvarenga
Mestre, Psicologia Clínica, PUC/RJ, 1983.
Doutora, Psicologia Clínica, PUC/RJ, 1994.

1- A psicologia jurídica se constitui como minha área de interesse mais ampla. Venho desenvolvendo no momento três temas de pesquisa. O primeiro deles tem como objeto de estudo a parentalidade adotiva, que tem sido explorado sob diversos ângulos: o perfil do requerente em processos de adoção, os mitos e preconceitos que envolvem a adoção, as famílias monoparentais adotivas, a adoção internacional, o segredo sobre as origens da criança adotada. O segundo enfoca os conflitos da conjugalidade e os impasses da parentalidade, principalmente aqueles que são levados ao judiciário, após o rompimento da relação conjugal. Estudando o tema do litígio, enquanto tradução de um conflito na cena do judiciário, estou interessada em refletir sobre a mediação como um instrumento passível de ser utilizado neste campo. A intolerância crescente na contemporaneidade afeta não apenas as relações familiares; assim é que, a partir da demanda do Juiz Titular do Juizado Especial Criminal do Leblon (Jecrim), iniciamos em 2009 uma pesquisa sobre “conflito entre vizinhos”, cujo objetivo principal é identificar os tipos mais comuns de conflitos e avaliar as soluções encontradas pelos sujeitos para resolvê-los.

2-Neste momento estou trabalhando em dois projetos de pesquisa. O primeiro tem como objeto de estudo o tema da parentalidade e seus impasses no judiciário. No segundo busca-se examinar as características e as formas de resolução de conflitos comunitários, visando refletir sobre a mediação como um instrumento passível de ser utilizado neste campo.

Profª. Silvia Maria Abu-Jamra Zornig
M.S, Columbia University, NYC, EUA, 1979.
Doutora, Psicologia Clínica, PUC-Rio, 1998.
Psicanalista da Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle.

Áreas de interesse:
1. Relações objetais precoces e constituição do sujeito.
2. A infância e o infantil em psicanálise.
3. Adolescência e novas formas de subjetivação.
4. Clinica dos primórdios

Minha área de interesse está direcionada ao estudo e pesquisa sobre a clínica da infância e da adolescência, com ênfase especial para a articulação entre a constituição do sujeito, a construção da parentalidade e formas de subjetivação na infância e na adolescência. A partir da pesquisa desenvolvida sobre a infância e o infantil em psicanálise e do entrecruzamento de temporalidades que atravessam a constituição do sujeito, tem sido objeto de minha pesquisa nos últimos anos a clínica dos primórdios que tem como referencial um modelo metapsicológico baseado em uma clínica do sensível, da forma e do continente. As contribuições das teorias psicanalíticas que priorizam as relações objetais precoces (Ferenczi, Winnicott) são articuladas a uma concepção teórico-clínica que amplia o conceito de representação (Aulagnier) e de sujeito.

A clínica da parentalidade é objeto privilegiado de estudo, principalmente temas relacionados à construção da parentalidade, ao psiquismo materno e à sexualidade feminina. O estudo das questões trazidas pela noção de adolescência para a clínica psicanalítica também é objeto de interesse, principalmente face aos novos impasses da atualidade. A articulação entre o sintoma adolescente e o laço social, a leitura renovada dos processos psíquicos em jogo na adolescência, o estudo das identificações, e as relações entre a denominada “crise da adolescência” e as estruturas clínicas são temas do meu campo de investigação.

 

Profª. Terezinha Féres-Carneiro http://www.psi.puc-rio.br/imagens/lattes1.jpg
Mestre, Psicologia Clínica, PUC-Rio, 1975.
Doutora, Psicologia Clínica, PUC-SP, 1981.
Pós-doutorado, Terapia Psicanalítica de Família e Casal, Universidade de Paris 5, Sorbonne, França, 1988.
Membro efetivo da Association Internationale de Psychanalyse de Couple et de Famille.

Meus interesses estiveram sempre voltados para o estudo da família e da terapia de família e casal. A questão da promoção de saúde emocional no grupo familiar tem sido objeto de algumas das minhas investigações. Desenvolvi trabalhos que discutem a relação entre as dificuldades emocionais apresentadas por crianças e os conflitos existentes nas interações estabelecidas por seus pais. Estes estudos defendem o ponto de vista teórico-clínico de que, na maior parte dos casos em que crianças apresentam problemas emocionais, é suficiente uma intervenção com os pais para que haja remissão dos sintomas apresentados pelos filhos.

A complexidade do campo das psicoterapias de família e casal com seus múltiplos enfoques tem sido um dos temas do trabalho que venho desenvolvendo.  Tenho discutido a possibilidade de articular os desenvolvimentos teóricos das abordagens sistêmicas e das abordagens psicanalíticas, ressaltando a necessidade de uma tríplice chave de leitura que considere o interacional, o intrapsíquico e o social, na clínica de família e casal.

Ampliando meus interesses no estudo da relação conjugal, venho realizando pesquisas sobre casamento, separação, recasamento e terapia de casal. As configurações conjugais e familiares contemporâneas também têm sido objeto de minhas investigações. Nestes estudos, tenho focalizado os temas da conjugalidade heteroafetiva e homoafetiva, da monoparentalidade, da homoparentalidade, das relações da família com o judiciário, sobretudo na separação conjugal e na adoção, do prolongamento da convivência familiar, da transmissão psíquica geracional.

O projeto de pesquisa atual, intitulado “A parentalidade nas configurações familiares contemporâneas e a demanda de psicoterapia de família”, apoiado pelo CNPq e pela FAPERJ, está desdobrado em dois subprojetos. O primeiro tem como objetivo desenvolver uma investigação sobre a percepção de pais e filhos em relação ao exercício da parentalidade nas diferentes configurações familiares contemporâneas; e o segundo, pretende investigar como se constitui a demanda por psicoterapia de família nas diferentes configurações familiares e sua relação com o exercício da parentalidade. A articulação dos resultados obtidos nos dois subprojetos será realizada a partir de uma ótica multidisciplinar, fundamentada na literatura revisada dos campos da sociologia, da antropologia e da terapia de família em suas vertentes sistêmica e psicanalítica.



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LINHA 4 – CLÍNICA E NEUROCIÊNCIAS

Esta linha de pesquisa tem como proposta articular saberes desenvolvidos por diferentes abordagens da psicologia clínica e as várias áreas da neurociência. Constituem-se como campo específico de conhecimento os aspectos subjetivos do adoecimento neurológico, utilizando conceitos e problemáticas oriundos do diálogo psicanálise-neurociências, a neuropsicologia clínica do desenvolvimento, bem como os circuitos neurais subjacentes a processos emocionais e cognitivos. Determinações socioculturais implicadas na constituição do sujeito e suas relações com o desenvolvimento, estrutura e funcionamento do sistema nervoso também são aspectos de interesse. De acordo com esta perspectiva, podem ser desenvolvidos temas teóricos ou empíricos, envolvendo dados clínicos, correlacionais e experimentais. Dentre os temas de interesse, destacam-se o aprofundamento de conceitos psicanalíticos tendo em vista algumas questões derivadas do diálogo com as neurociências; investigação de instrumentos e práticas de avaliação e reabilitação neuropsicológica ao longo do desenvolvimento saudável e patológico na criança, adolescente, adulto e idoso; a investigação dos sistemas neurais envolvidos na regulação da memória e da emoção; modulações de respostas imunológicas e hormonais pelo sistema nervoso central; origem e expressão de diferentes transtornos de ansiedade; o sentido do sintoma na doença; o desenvolvimento infantil e o estabelecimento de vínculos afetivos.

Profª. Flavia Sollero de Campos
Mestre, Psicologia Clínica, PUC-Rio, 1979.
Doutora, Psicologia Clínica, PUC-Rio, 2001.

Estou interessada em estudar alguns aspectos das relações entre a psicanálise e as neurociências, definidas a partir dos referenciais da sociologia do conhecimento científico e da concepção de linguagem como uma forma de ação. O significado é, portanto, sempre dado contextualmente pelas diversas práticas sócio-culturais, e tanto a psicanálise como as neurociências não estão isentas de tal inserção. A partir dessas definições, acredito que possamos 1) discutir algumas questões teóricas e técnicas quanto à possibilidade de atendimento psicanalítico de pacientes portadores de lesões neurológicas, como por exemplo, questões ligadas à transferência, processos identificatórios, imagem corporal, passagem ao ato, interpretação. Levando em consideração os aspectos citados, e como desdobramento dessa pesquisa, 2)  estudar as definições contemporâneas de ego, self, afeto, cognição na medida em que são utilizadas tanto pela psicanálise – entenda-se aqui a teoria das relações objetais e das relações objetais precoces, como das neurociências.   ( G. Edelman, A. Damásio, J. Panksepp, J. LeDoux); 3)repensar algumas questões relacionadas à corporalidade, à dimensão não verbal, à consciência e ao inconsciente no que diz respeito à  noção de intersubjetividade, relacionando-a à consciência e ao inconsciente e à constituição do sujeito. É imprescindível mantermos as questões referentes ao desejo e ao inconsciente.

 

Profª. Helenice Charchat Fichman
Mestre, Neurociências e Comportamento, USP/SP, 1999.
Doutora, Neurociências e Comportamento, USP/SP, 2003.

A minha área de interesse é neuropsicologia clínica e experimental. Este tema estuda a interface da psicologia cognitiva com o funcionamento do sistema nervoso central. Neste contexto, as principais pesquisas investigam a neuropsicologia do desenvolvimento normal ao patológico de crianças, adultos e idosos. Algumas pesquisas são:
- Investigação de modelos de avaliação neuropsicológica.
- Investigação de paradigmas de intervenção e reabilitação neuropsicológica.
- Estudo de validação de constructo e clínica de instrumentos e baterias de testes neuropsicológicos.
- Construção de novos instrumentos neuropsicológicos computadorizados.
- Estudo de casos clínicos de pacientes com lesão neurológica e suas interfaces com a cognição e emoção.
- Investigação de respostas emocionais e funções cognitivas em quadros neurológicos e psiquiátricos da infância, adolescência, adulto e idoso.

 

Prof. J. Landeira-Fernandez
Mestre, Universidade de São Paulo, 1985.
Ph.D. University of California, Los Angeles, EUA, 1994.

Minha área de interesse está relacionada com a compreensão dos processos envolvidos na origem dos diferentes tipos de ansiedade e como eles se relacionam. Apesar de a ansiedade constituir-se em um fenômeno tipicamente humano, é possível encontrar correlações entre essa emoção e respostas de defesa que animais exibem a estímulos ameaçadores. A partir dessa perspectiva, uma das minhas áreas de pesquisa está relacionada com o emprego de modelos animais cujo objetivo é o de em investigar como a circuitaria neural subjacente no medo e na ansiedade está organizada. A principal metodologia envolvida nesse tipo de pesquisa consiste em manipulações neuro-farmacológicas e suas conseqüências nas reações de defesa em determinados modelos que empregam o rato albino.

Meu interesse científico envolve também estudos com seres humanos. Embora seja impossível obter o mesmo rigor metodológico, a investigação com seres humanos permite realizar valiosas conexões entre descobertas de natureza básica, através do emprego de modelos animais, com o conhecimento de natureza clínica que envolve o contato com pacientes que sofrem de transtornos específicos de ansiedade. Nesse sentido, estamos interessados inicialmente no processo de validação de algumas medidas psicológicas que possam avaliar os diferentes transtornos de ansiedade, com especial atenção ao transtorno de ansiedade generalizada e ao transtorno do pânico. Dentre essas formas que permitem quantificar diferentes estados de ansiedade, destacamos medidas explicitas, calcadas em questionários de auto-avaliação, assim como medidas implícitas que não dependem da reflexão consciente do sujeito no processo da avaliação do seu estado de ansiedade. Esta diferenciação é interessante, uma vez que existem discrepâncias entre resultados coletados através do auto-relato com o padrão de respostas fisiológicas de pessoas submetidas a determinadas situações reais ou imaginárias de perigo.

 

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