Monah Winograd

  • Formação Acadêmica:  Doutora, Teoria Psicanalitica, UFRJ 2001
  • E-mail:  monahwinograd@icloud.com
Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992), Especialização em Psicoterapia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994), Mestrado (1996) e Doutorado (2001) em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente é pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica do Departamento de Psicologia da PUC-Rio e Editora Associada do periódico Psicologia Clínica (PUC-Rio). Integra a linha de pesquisa em Psicanálise: Clínica e Cultura e atualmente pesquisa a questão do trauma, da repetição e da pulsão de morte em suas faces desestruturantes e subjetivantes, o campo do pré-discursivo, o lugar do corpo em psicanálise e os aspectos subjetivos do adoecimento neurológico. É bolsista de produtividade 2 do CNPq, coordenadora do GT Psicanálise e Clínica Ampliada e administradora da página do Facebook do Departamento de Psicologia da PUC-Rio.

 

Meus temas de interesse atual tem-se concentrado em três eixos gerais e interligados de investigação em torno à questão do limite como fronteira móvel e flutuante. O primeiro eixo de pesquisa abrange a problemática do corpo e do soma, quer no que se refere à questão geral do lugar do corpo em psicanálise - envolvendo a pesquisa sobre as zonas de indiscernibilidade entre corpo-psiquismo (Isso, pulsão, afeto etc.) - quer relativamente à problemática psicossomática e aos fenômenos de intrusão do soma na esfera psíquica. Neste sentido, também nos interessa a questão do traumático, considerando a diferenciação entre repetição diferencial e repetição do mesmo (compulsão à repetição) como expressão da pulsão de morte. Com o auxílio da literatura freudiana e pós-freudiana, investigamos as relações entre compulsão à repetição e pulsão de morte tanto em seu caráter desorganizador e mortífero, quanto em seu caráter estruturante. Para tanto, parece-nos absolutamente necessário destacar a função da pulsão de morte na constituição subjetiva, ou seja, o quanto os processos de vida só são viáveis pela integração das forças de morte, sem negligenciar seus efeitos psicopatológicos nos estados-limite, verificando sua incidência na clínica e discutindo o manejo técnico necessário. Finalmente, o terceiro eixo de pesquisa, que sustenta conceitualmente os anteriores, tem sido a questão do limite ou do fronteiriço em psicanálise. De saída, é preciso entender o limite em psicanálise, menos como representação figurada, e mais como processos de transformação de energia e de simbolização, ou seja, como força e significação, pesquisando o problema das zonas intermediárias entre o interno e o externo, entre a pulsão e o pensamento, entre o soma e a psique, entre os sistemas ou as instâncias psíquicas, enfim, numa dimensão inter e intrasubjetiva. Neste contexto, diversas questões podem ser desdobradas, no centro da metapsicologia ou nas fronteiras da psicanálise com outros campos de saber, dentre as quais destaco apenas alguns vetores, dentre muitos outros possíveis: 

(1) o problema geral do lugar do corpo nos modelos metapsicológicos e em seus fundamentos teóricos;
(2) os conceitos de afeto, isso e pulsão (particularmente o de pulsão de morte);
(3) questões técnicas e teóricas derivadas da clínica do traumático e dos estados-
limite etc.;

(4) o campo do pré-discursivo e as relações de objeto; 
(5) o problema do narcisismo primário;

PESQUISAS EM ANDAMENTO:

(1) Trauma, repetição e pulsão de morte

Descrição: Nossos objetivos são investigar as faces do traumático e da repetição, bem como sua articulação com a pulsão de morte. Pretende-se lançar luz sobre as relações entre compulsão à repetição e pulsão de morte tanto em seu caráter desorganizador e mortífero, quanto em seu caráter subjetivante. Para tanto, investigamos as funções da pulsão de morte na constituição subjetiva e seus efeitos psicopatológicos nas neuroses traumáticas, atuais e narcísico-identitárias, verificando sua incidência na clínica. Esta pesquisa envolve o atendimento a pacientes pela equipe de estagiários do SPA/PUC-Rio.

(2) Trauma e desterritorialização: situação psíquica em contextos de exclusão e violência

Descrição: Este projeto de pesquisa é o piloto de uma investigação mais ampla que pretende identificar e descrever alguns efeitos psíquicos da experiência da migração, forçada ou não, e elaborar estratégias para a construção de espaços de fala e de escuta que considerem as especificidades destes sujeitos, sem vitimizá-los ou enquadrá-los precocemente em transtornos mentais que peçam respostas imediatas. Para tanto, é preciso: (1) fazer uso de metodologias de pesquisa que permitam apreender os diversos modos de expressão do sofrimento psíquico e sirvam simultaneamente como modos de intervenção e, com isso, (2) ampliar o enquadre clínico usual e desenvolver dispositivos e instrumentos que promovam a elaboração das experiências vividas e das questões atualizadas por elas. Esta pesquisa está inserida em projeto interdisciplinar abrangente relativo à implementação, na PUC-Rio, da Cátedra Sérgio Vieira de Melo (CSVM) do ACNUR. A CSVM foi criada em 2003 e reformulada em 2009 com o objetivo de promover os direitos da população refugiada por meio do estímulo à pesquisa, ensino e extensão sobre o tema nas universidades parceiras. O trabalho comunitário com refugiados também é componente central da iniciativa. No Brasil, há hoje 17 universidades e centros de pesquisa conveniados, sendo dois no Rio de Janeiro: UERJ e Fundação Casa de Rui Barbosa – ambos integrados em 2017. É no âmbito desses esforços que este projeto está inserido, com vistas a abrir a Universidade para a reflexão crítica e para o avanço dos espaços de proteção e integração de solicitantes de refúgio e refugiados. Nosso  objetivo geral é investigar os efeitos psíquicos da migração forçada e as modalidades possíveis de escuta e intervenção clínicas fora dos dispositivos tradicionais. Nosso objetivo específico é identificar e descrever as problemáticas psíquicas potencialmente pregnantes na população refugiada e solicitante de refúgio no estado do Rio de Janeiro e verificar a eficácia do dispositivo de conversações tanto como método de pesquisa quanto como espaço de elaboração da experiência do refúgio.